15/12/2009

– DIÁLOGO ENTRE A LUZ E A ESCURIDÃO –



Ao tentar forjar um novo caminho,

encontrei a minha própria sombra

deitada sobre as paredes que ainda resistem.

Como um eclipse sedutor,

ergueu-se imponente entre o diálogo de luz e escuridão.

Assustei-me com a sua petulância,

pois a muito tempo aprendi sobre a malícia

dos pensamentos nascidos em confinamento.

O produto final não costuma ser atraente,

somente o engodo inicialmente semeado nas fraquezas

pode nutrir o desejo de descoberta após a passagem do medo.

Mas uma porta se abriu no centro da zona de conflito,

quase como um buraco negro escondendo o desconhecido,

e ensurdeceu qualquer reação de resistência.

Prontamente minha sombra sussurrou...

“Cuidado com os espelhos no caminho,

não só os pulsos devem ser protegidos no inverno”.

E começou a cantar...

“A luz que molda as formas esvazia-se nas extremidades,

mas não varre a escuridão concentrada nos pontos cegos”.

Repentinamente, ela cessou o canto,

moveu-se lentamente e inverteu a sua posição original,

a ponto que eu a perdesse do palco do meu olhar.

Então, protegida contra os meus julgamentos preliminares,

quebrou o silêncio e gritou...

“Eu sou o substrato e o reflexo,

um anjo entre demônios famintos,

o novo enigma das angustias reprimidas”.

E sem hesitar, questionou-me...

“O que somente se confessa em segredo?”.

Mas a melodia prosseguiu,

desenvolveu-se melancolicamente no verso...

“Eu sou o câncer que nutre a sua insanidade,

você é a insanidade que nutre o meu câncer.

Vamos caminhar em união indissolúvel,

provando o choque que o passado pode propiciar.

Então deixe-o devorar o presente e anunciar o futuro,

não há fuga natural que possa modificar as direções.

Sobre as cinzas construiremos uma nova morada,

um majestoso palácio de ossos”.

Assim cantou o reflexo no espelho,

repetindo todos os vícios entranhados no espírito.

Inspirei profundamente e contestei de forma ríspida...

“Desafio-lhe a seguir-me por entre velhos labirintos,

caminhos que conduzem ao segredo mais expressivo.

Prosseguimos unidos pelo vazio,

separados apenas por cada cicatriz doentia.

Quando todas as máscaras caírem,

seremos apenas um no reflexo”.

(Ghost Grey)

12/12/2009

- PARADISE LOST - Forever Failure

07/12/2009

– EM MEMÓRIA –



Sonhos nutridos abaixo de um sol de inverno

me fazem recordar a última primavera,

chamando lembranças que emergem mornamente,

como se tudo houvesse sido tão vívido.

Caminhos retrocedem na memória,

trazendo de volta tudo aquilo que secou,

mas que estranhamente entranhou-se abaixo da pele.

Através do silêncio remanescente,

ouço uma melodia inacabada

misturando-se ao som de um relógio elétrico.

Fixo o olhar através da janela,

na tentativa de purificar um passado translúcido.

Mas perco-me em um horizonte limitado,

povoado pela loucura inconstante

e pela solidão uniforme.

Tento fechar os olhos,

tão cansados desse jogo de luz e escuridão.

Mas a noite é tão assombrosa

quando o chão se desloca para cima

e as lágrimas não querem cair.

(Ghost Grey)

03/12/2009

- CONDICIONANTES -



Violência homeopática
Visualmente drenada para dentro
E nos sons da agonia gerada

Veneno traiçoeiro dos dias
No odor das coisas humanas
No sabor do que não se quer provar

Silêncio
Algo grita
Mas quase não ressona

Atenção
Em cada gesto
Em cada contato

Observe a degradação
Não se pode sentir a incisão
Não se pode sentir

Acostumando-se com essa paisagem
Necessariamente acostumando-se
Enquanto termina outro dia

Algo terminou conjuntamente
Perdeu-se entre as entranhas
Infiltrou-se no vazio

Comportamentalmente
Processo condicionante
Fundamentalmente humano

Fluindo dispersivamente
Naturalmente
Concentrando-se nas extremidades

Ruas manchadas e barrigas famintas
Sangue cristalizado no olhar
E tudo aquilo que não comove mais.

(Ghost Grey)

29/11/2009

– DESCOMPASSO –



Em um baile de máscaras,
para cada lágrima derramada,
brilha um sorriso sarcástico.

Virtude e vício se encontram
em movimentos puramente atrativos.

Olhares hipnóticos se cruzam,
sabores insidiosos são despejados...

Estou dançando no palco do mundo,
provando venenos adocicados,
enquanto a noite encobre o teatro.

Virtude e vício se encontram
em um jogo de belezas proibidas.

Falsos motivos e finalidades falsas,
tudo conduz por vias estreitas...

Estou dançando em descompasso com a melodia,
como um bobo da corte sem rainha,
apenas para satisfazer um desejo de sedução.


(Ghost Grey)

25/11/2009

- ARCTIC MONKEYS - Crying Lightning

22/11/2009

- ESPAÇOS VAZIOS -



Estou cultivando a última flor,

através da síntese de todas as cores.

Um vaso de porcelana yin aguarda vazio,

enquanto essa alquimia produz a sua abstração.

Tenho sonhado com um novo grau de inspiração,

enquanto atravesso as sufocantes paredes da indiferença.

É estranho prosseguir e tentar promover a desfragmentação,

reunindo e agrupando toda a dor.

Parece tão importante correr por estes campos estéreis,

onde é possível cultivar cada elemento da arquitetura.

Mas primeiro irei recolher as sementes mortas sobre a areia,

antes que as ondas comecem a dobrar a realidade.

(Ghost Grey)

19/11/2009

- ACIMA DA PELE -


Nenhum vestígio para tocar ou exaltar,

nenhuma ferida para lamber ou ocultar.

Prova-se somente o que se pode tocar,

juntamente com a sujeira acima da pele.

Nada mais que movimentos rápidos nessa superfície,

para que não possamos aprender as razões escondidas.

Esse é o caminho que se move enquanto andamos

e parece loucura abandoná-lo sem um pretexto dinâmico.

Frias emoções movem-se no refluxo de um oceano distante,

em contraposição silenciosa e desdenhosa.

Um novo esconderijo surge, outra máscara é moldada,

no intervalo do desdobramento natural das estações.

É inútil tentar racionalizar cada momento,

nunca há ninguém ao redor desses pensamentos.

Procuro apenas um ponto de equilíbrio

nesse reflexo ilusivo das memórias assombrosas que ficam,

mas encontro apenas fantasmas cinzentos.

Não desejo escolhas retroativas,

somente estou cansado de breves suspiros,

entediado com as fugas e com o inverno recorrente.

Entretanto não é possível modificar o entendimento,

não há vazio nessa solidão aparente.

Tudo apenas transborda sem destino,

quando se está entre prostitutas e rainhas.

(Ghost Grey)

16/11/2009

- VOANDO ALTO -



Na sexta-feira do dia 13 de novembro de 2009, fui para a cidade de Sete Lagoas – Minas Gerais – Brasil, juntamente com a minha namorada e alguns amigos, com o intuito de aproveitarmos o fim de semana e o feriado do Dia da Proclamação da República (bem que o feriado podia ter caído na segunda-feira!). Conhecemos alguns dos principais pontos turísticos da cidade (lagoas, museus) e fomos à bela Serra de Santa Helena, principal atrativo turístico da região. Também sofremos com o calor da cidade, pois estamos acostumados com o clima frio dessa nossa “Terrinha de Loucos” - BQ. Bebi muita cerveja para não fundir as células... hehehehe. A Serra de Santa Helena é utilizada para a prática de esportes como “moto cros”, “rapel”, vôo de parapente e etc. A paisagem é muito bonita! No Sábado, fomos até a Serra e acabamos conhecendo o A.®, um apaixonado praticante de Parapente e tive o privilégio de saltar com ele em um Vôo Duplo. Foi sensacional! Sentir a altitude e a velocidade elevando-se, o vento soprando forte e poder observar a paisagem da região do alto é algo indescritível e certamente inesquecível! Nota: Preciso fazer isso novamente. Depois ainda curtimos o pôr-do-sol. No sábado, a G.® e a D.® foram para BH para prestar um concurso público e o O.® resolveu ficar em casa. Então, fui com a P.® conhecer o Parque da Cascata e fizemos uma gostosa caminhada pela região até a belíssima Cascata de Santa Helena, com seus 35 metros de queda livre, um verdadeiro santuário ecológico. Ela não forma um lago propício para nadar, pois em sua base há muitas pedras, mas acabei entrando em baixo de sua cascata. Em suma, boas companhias, um local muito bonito e disposição, me permitiram curtir um ótimo fim de semana! Avante!

- SERRA DE SANTA HELENA - Sete Lagoas - MG



- PARQUE DA CASCATA - Cascata de Santa Helena - Sete Lagoas - MG


(Ghost Grey)



12/11/2009

- ISIS -- 20 Minutes/40 Years -

09/11/2009

- EM CADA DIREÇÃO -



Preciso mergulhar mais fundo nesse mundo de sombras,

invadindo essa arquitetura suja que sustenta minha imagem.

Quero sentir o controle trepidar no cume do auto-conhecimento,

enquanto o silêncio preenche cada espaço vazio.

Irei confrontar cada pensamento recorrente,

saciar a sede na fonte das angustias venenosas.

È necessário derrubar cada máscara moldada para matar em disfarce,

no centro desse sacrifício voluntário.

Eu desejo sentir o veneno e a cura queimando,

misturados e fluindo, nessa simbiose que agita o meu ser.

Estou correndo em cada direção proibida,

enquanto cambaleio entre dois mundos divididos,

ocultos sob um eclipse chamado vida.


(Ghost Grey)