
Ao tentar forjar um novo caminho,
encontrei a minha própria sombra
deitada sobre as paredes que ainda resistem.
Como um eclipse sedutor,
ergueu-se imponente entre o diálogo de luz e escuridão.
Assustei-me com a sua petulância,
pois a muito tempo aprendi sobre a malícia
dos pensamentos nascidos em confinamento.
O produto final não costuma ser atraente,
somente o engodo inicialmente semeado nas fraquezas
pode nutrir o desejo de descoberta após a passagem do medo.
Mas uma porta se abriu no centro da zona de conflito,
quase como um buraco negro escondendo o desconhecido,
e ensurdeceu qualquer reação de resistência.
Prontamente minha sombra sussurrou...
“Cuidado com os espelhos no caminho,
não só os pulsos devem ser protegidos no inverno”.
E começou a cantar...
“A luz que molda as formas esvazia-se nas extremidades,
mas não varre a escuridão concentrada nos pontos cegos”.
Repentinamente, ela cessou o canto,
moveu-se lentamente e inverteu a sua posição original,
a ponto que eu a perdesse do palco do meu olhar.
Então, protegida contra os meus julgamentos preliminares,
quebrou o silêncio e gritou...
“Eu sou o substrato e o reflexo,
um anjo entre demônios famintos,
o novo enigma das angustias reprimidas”.
E sem hesitar, questionou-me...
“O que somente se confessa em segredo?”.
Mas a melodia prosseguiu,
desenvolveu-se melancolicamente no verso...
“Eu sou o câncer que nutre a sua insanidade,
você é a insanidade que nutre o meu câncer.
Vamos caminhar em união indissolúvel,
provando o choque que o passado pode propiciar.
Então deixe-o devorar o presente e anunciar o futuro,
não há fuga natural que possa modificar as direções.
Sobre as cinzas construiremos uma nova morada,
um majestoso palácio de ossos”.
Assim cantou o reflexo no espelho,
repetindo todos os vícios entranhados no espírito.
Inspirei profundamente e contestei de forma ríspida...
“Desafio-lhe a seguir-me por entre velhos labirintos,
caminhos que conduzem ao segredo mais expressivo.
Prosseguimos unidos pelo vazio,
separados apenas por cada cicatriz doentia.
Quando todas as máscaras caírem,
seremos apenas um no reflexo”.
(Ghost Grey)









